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   DIRETÓRIO Principal -> Resumos de livros -> (documento)
“O alienista”, sinopse e aplicação
( Walter Rossignoli * )


Ancorado no registro das antigas crônicas, Machado de Assis, em “O alienista”, faz uma contundente crítica ao cientificismo da segunda metade do século XIX. O doutor Bacamarte, com suas teorias acerca da loucura, além de simbolizar a fragilidade das certezas científicas é, também, indiscutivelmente, numa dimensão humana universal, o símbolo de nossas permanentes incertezas nessa caminhada no teatro da vida. Se o cientista, com seu aporte especial, vive num mundo de dúvidas, de buscas permanentes, o que se dizer então do homem comum desprovido desse cabedal? Estamos mesmos fadados a conviver no emaranhado de nossas próprias contradições, parece nos alertar o narrador machadiano do alto de sua incomplacente ironia.
Valendo-se do foco narrativo em terceira pessoa, o narrador nos apresenta Simão Bacamarte, o grande médico, que escolheu Itaguaí para seu universo, preterindo os grandes centros do saber europeu. Radicando-se na terra natal, ele se casa com uma viúva de limitados dotes físicos, em quem o médico vira os atributos de saúde necessários para lhe dar uma prole saudável... Dona Evarista frustra as previsões e não lhe dá filhos... Talvez aí, já o primeiro índice de que a ciência era falível...
Doutor Bacamarte elegeu para suas atenções científicas o recanto psíquico e resolveu solicitar à Câmara de Itaguaí permissão para instalar na cidade uma casa de orates. A Câmara votou o imposto necessário, para financiar o tratamento dos necessitados, e a Casa Verde, assim chamada pela cor de suas janelas, foi inaugurada com muita pompa.
Os primeiros alienados começaram a povoar o hospício... No início, poucos; depois, em número maior. Dona Evarista sentiu-se preterida, e o sábio marido enxergou-lhe a dor... Compensou-lhe com uma viagem ao Rio de Janeiro... Dona Evarista se foi acompanhada de uma comitiva, e Bacamarte continuou seus estudos, sua dedicação aos loucos que afluíam à Casa Verde.
Crispim Soares, o boticário, era amigo e confidente do alienista. Certa feita, o doutor o mandou chamar. Crispim, cuja mulher viajara com d. Evarista, ficou preocupadíssimo e correu à Casa Verde. Na verdade, não havia notícias dos viajantes. Simão lhe confidenciara algo mais importante: “Trata-se (...) de uma experiência, mas uma experiência que vai mudar a face da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.”
O padre Lopes, a quem o alienista também expôs a nova teoria, ponderou que os limites entre a razão e a loucura estavam bem delimitados. “Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que transpor a cerca?”, acrescentou o vigário.
A partir daí, instala-se o terror na cidade. A população assistiu, pasmada, ao recolhimento de Costa. Justamente ele, uma pessoa tão querida... Seu defeito era dissipar a herança recebida de um tio, dividindo-a em empréstimos, sem usura... Um louco perfeito!, segundo a teoria em prática. Uma prima do Costa foi interceder por ele. Contou para o médico que o caráter perdulário do primo era conseqüência de uma praga muito bem rogada. O tio de Costa negara água a um homem, que, vingativo, rogou a praga para que seu dinheiro não durasse mais de sete anos e um dia... E a pobre senhora, feita a defesa, acabou sendo recolhida à Casa Verdade. Foi a última pessoa que intercedeu por Costa. Muitos outros seriam recolhidos... Pobre Mateus! Ficara rico com albardas e construiu uma casa suntuosa, cuja beleza vivia contemplando. Além disso, gostava de que o contemplassem, quando ficava à janela de sua casa. Foi recolhido!! Literalmente, implantou-se o terror. Um médico sem clínica chamou a Casa Verde de cárcere privado, e a opinião “pegou e grassou” rapidamente.
Esperava-se ansiosamente por d. Evarista, na esperança de que ela minimizasse a fúria da ciência. Ledo engano!... Martim Brito fez um discurso em homenagem à ilustre dama, enfatizando, que, na criação dos homens, “Deus quis vencer a Deus e criou d. Evarista”. O alienista viu ali um caso típico de lesão cerebral, e o moço foi recolhido...
A essa altura, Bacamarte era considerado um déspota. A rebelião era iminente. Lideradas pelo barbeiro Porfírio, cerca de trinta pessoas levaram uma representação à câmara, que negou qualquer interferência em assunto de natureza científica. O vereador Sebastião de Freitas, entretanto, ponderou que não havia garantias de que o alienado não fosse o alienista. Os revoltosos partem para Casa Verde, com a intenção de destruí-la. “- Abaixo a Casa Verde, bradavam os Canjicas”, assim denominados os revoltosos sob o comando de Porfírio. Simão Bacamarte, sereno e eloqüente, dissertou sobre a seriedade da ciência , enfatizando que seus atos só seriam explicados aos mestres e a Deus, jamais a leigos ou a rebeldes. A eloqüência do alienista arrefeceu os ânimos, mas o barbeiro conseguiu manter o estado de exaltação.
Chega o regimento dos dragões para preservar a legalidade. Porfírio, então, discursa: “- Não nos dispersaremos. Se quereis os nossos cadáveres, podeis tomá-los; mas só os cadáveres; não levareis a nossa honra, o nosso crédito, os nossos direitos e, com eles, a salvação de Itaguaí”.
O conflito era inevitável, os Canjicas fatalmente sairiam derrotados. Parte dos dragões, entretanto, aderiu aos revoltosos e, por fim, quase todos eles. O revolução triunfou. A câmara, vendo os dragões chegarem, julgando-se vitoriosa, votou uma petição para que eles fossem premiados com um mês de soldo, com a aprovação de Sebastião de Freitas, o mesmo que defendera os Canjicas. Pura ilusão! A câmara foi deposta e o barbeiro Porfírio foi nomeado “protetor da vila em nome de sua majestade e do povo”.
As angústias do boticário são descritas com a mais fina ironia. Crispim Soares, logo que soube da rebelião contra o alienista, fingiu-se de doente. Agora, sabendo que Porfírio fora à Casa Verde, imaginou que o alienista estivesse na iminência de ser preso, e o que seria dele como fiel aliado? Diante dessa situação, correu ao palácio do novo governo e manifestou sua adesão aos funcionários que o receberam. Nesse sentido, como se vê, o narrador critica com maestria os bastidores do poder, as adesões interesseiras, em detrimento de causas sólidas. É o ser humano movido pelo mais puro egoísmo... E, na descrição desses estados de alma, o criador de Dom Casmurro está sempre a proporcionar as mais argutas reflexões sobre o comportamento humano, sobre o egoísmo humano.
Contrariando as expectativas, Porfírio procurou uma conciliação com a ciência. Conversou com o alienista e solicitou um “alvitre intermediário” capaz de sossegar a população. Cinco dias depois, vários aclamadores do novo governo foram trancados na Casa Verde. Outro barbeiro, João de Pina, denunciava que Porfírio havia se “vendido ao ouro de Simão Bacamarte”. João de Pina assume o poder, mas o governo do vice-reino mandou reforços que restabeleceram a antiga ordem em Itaguaí.
A Casa Verde, novamente sob a proteção do poder instituído, continuou abrigando os loucos de Itaguaí. Desta festa, o barbeiro Porfírio, Crispim Soares, o vereador Sebastião de Freitas e tantos outros foram recolhidos ao hospício. No dizer do narrador, “foi uma coleta desenfreada. Um homem não podia dar nascença ou curso à mais simples mentira do mundo, ainda daquelas que aproveitam ao inventor ou divulgador, que não fosse logo metido na Casa Verde. Tudo era loucura”. Até mesmo d. Evarista, em quem o alienista enxergara uma certa “mania suntuária”, fora recolhida ao hospício.
Certo dia, a população ficou assombrada. O alienista oficiara à câmara que os “loucos” iam ser libertados. Ele concluíra que quatro quintos da população estavam alojados na Casa Verde. O fato estatístico contribuíra para se chegar à conclusão de que a teoria merecia ser revista. Concluía o alienista que o normal e exemplar era o desequilíbrio e que se deveriam considerar como patológicos os casos em que houvesse equilíbrio ininterrupto das faculdades mentais. Houve muitas festas para comemorar o retorno dos antigos reclusos. A enfermidade, contudo, continuava existindo, e o médico estaria à busca dos novos loucos, segundo sua mais recente teoria...
Restituiu-se a ordem. Os barbeiros, absolvidos, voltaram a seu trabalho. Os vereadores permitiram as novas pesquisas, mas votaram pela exclusão de suas próprias mentes, apesar dos protestos do vereador Galvão, para quem a câmara, “legislando sobre uma experiência científica, não podia excluir as pessoas dos seus membros das conseqüências da lei”. Simão Bacamarte considerou esse vereador um cérebro organizado, e pediu licença à câmara para recolhê-lo, pedido que recebeu unânime aprovação.
Depois foi a vez do padre Lopes, da mulher do boticário... Passaram-se cinco meses e a Casa Verde alojava umas dezoito pessoas. Eram poucos os loucos, o que confirmava a nova teoria... O médico não afrouxava; “ia de rua em rua, de casa em casa, espreitando, interrogando, estudando; e quando colhia um enfermo levava-o com a mesma alegria com que outrora os arrebanhava às dúzias”.
Algumas das principais pessoas da vila, contrariadas com a Casa Verde, chegam, secretamente, a pedir o apoio do barbeiro Porfírio, que se negou., confessando-se ambicioso ao tentar subverter a ordem dominante. Simão Bacamarte soube disso e mandou recolher o ex-revolucionário. “- Preso por ter cão, preso por não ter cão! exclamou o infeliz.”
Nessa nova fase, as curas foram pasmosas, segundo registram os cronistas. Os loucos eram agrupados em classes, segundo a perfeição moral predominante. Em uma pessoa que padecesse de modéstia, por exemplo, ele aplicava uma medicação que lhe incutisse o sentimento oposto. E tudo era muito dosado, segundo o estado, a idade, a posição social do doente etc. O vereador Galvão, que se mostrara de tamanha eqüidade, perdeu um tio e corrompeu os juízes, favorecendo-se com o testamento. Estava curado... Mas, nesse caso, o alienista enxergou a simples força curativa da própria natureza.
Enfim, todos curados! Mas a dúvida era atroz.... A cura não seria apenas a descoberta do desequilíbrio do cérebro? Em Itaguaí não havia nenhum cérebro organizado?
Simão Bacamarte, aflito, reuniu os amigos, que apontaram nele as virtudes de um cérebro perfeito. O padre Lopes enfatizou que ele reunia inúmeras qualidades, realçadas pela modéstia. Foi a gota d’água. Simão Bacamarte recolheu-se à Casa Verde. Reunia em si a teoria e a prática. Em vão, a mulher, em lágrimas, o chamou. Dali a dezessete meses, o alienista morreu e foi enterrado com pompa e solenidade.
Sem dúvida, um texto envolvente, que nos leva a refletir sobre nós mesmos, sobre nossa (a)normalidade, sobre o poder e o jogo de interesses que o envolvem. Um texto em que a sabedoria da ciência é relativizada e ridicularizada através da construção desse personagem-símbolo das certezas incertas da ciência e do próprio homem.

O ALIENISTA
(fragmento)

(1) Abaixo a Casa Verde! bradavam os Canjicas.
(2) O alienista caminhou para a varanda da frente e chegou ali no momento em que a rebelião também chegava e parava, defronte, com as suas trezentas cabeças rutilantes de civismo e sombrias de desespero. ¾ Morra! morra! bradaram de todos os lados, apenas o vulto do alienista assomou na varanda. Simão Bacamarte fez um sinal pedindo para falar; os revoltosos cobriram-lhe a voz com brados de indignação. Então o barbeiro, agitando o chapéu, a fim de impor silêncio à turba, conseguiu aquietar os amigos, e declarou ao alienista que podia falar, mas acrescentou que não abusasse da paciência do povo como fizera até então.
(3) Direi pouco, ou até não direi nada, se for preciso. Desejo primeiro saber o que pedis.
(4) Não pedimos nada, replicou fremente o barbeiro; ordenamos que a Casa Verde seja demolida, ou pelo menos despojada dos infelizes que lá estão.
(5) Não entendo.
(6) Entendeis bem, tirano; queremos dar liberdade às vítimas do vosso ódio, capricho, ganância...
(7) O alienista sorriu, mas o sorriso desse grande homem não era coisa visível aos olhos da multidão; era uma contração leve de dois ou três músculos, nada mais. Sorriu e respondeu:
(8) Meus senhores, a ciência é coisa séria, e merece ser tratada com seriedade. Não dou razão dos meus atos de alienista a ninguém, salvo aos mestres e a Deus. Se quereis emendar a administração da Casa Verde, estou pronto a ouvir-vos; mas, se exigis que me negue a mim mesmo, não ganhareis nada. Poderia convidar alguns de vós em comissão dos outros a vir ver comigo os loucos reclusos; mas não o faço, porque seria dar-vos razão do meu sistema, o que não farei a leigos nem a rebeldes.
(9) Disse isto o alienista , e a multidão ficou atônita; era claro que não esperava tanta energia e menos ainda tamanha serenidade. Mas o assombro cresceu de ponto quanto o alienista, cortejando a multidão com muita gravidade, deu-lhe as costas e retirou-se lentamente para dentro. O barbeiro tornou logo a si, e, agitando o chapéu, convidou os amigos à demolição da Casa Verde; poucas vozes e frouxas lhe responderam. Foi nesse momento decisivo que o barbeiro sentiu despontar em si a ambição do governo; pareceu-lhe então que, demolindo a Casa Verde e derrocando a influência do alienista, chegaria a apoderar-se da câmara, dominar as demais autoridades e constituir-se senhor de Itaguaí. Desde alguns anos que ele forcejava por ver o seu nome incluído nos pelouros para o sorteio dos vereadores, mas era recusado por não ter posição compatível com tão grande cargo. A ocasião era agora ou nunca. Demais fora tão longe na arruaça que a derrota seria a prisão, ou talvez a forca ou o degredo. Infelizmente, a resposta do alienista diminuíra o furor dos sequazes. O barbeiro, logo que o percebeu, sentiu um impulso de indignação, e quis bradar-lhes: ¾ Canalhas! covardes! ¾ mas conteve-se, e rompeu deste modo:
(10) Meus amigos, lutemos até o fim! A salvação de Itaguaí está nas vossas mãos dignas e heróicas. Destruamos o cárcere de vossos filhos e pais, de vossas mães e irmãs, de vossos parentes e amigos, e de vós mesmos. Ou morrereis a pão e água, talvez a chicote, na masmorra daquele indigno.
(11) E a multidão agitou-se, murmurou, bradou, ameaçou, congregou-se toda em derredor do barbeiro. Era a revolta que tornava a si da ligeira síncope, e ameaçava arrasar a Casa Verde.
(12) Vamos! bradou Porfírio agitando o chapéu.
(13) Vamos! repetiram todos.
MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. O alienista. 9 ed. São Paulo : Ática, 1982, p. 34-5.


1. Na verdade, esse segmento de O Alienista revela que Porfírio conseguiu a fidelidade da turba sobretudo por

a) sua eloqüência persuasiva.
b) seu palavreado oco.
c) sua experiência em revoluções.
d) seu conhecimento de medicina.
e) seu desprendimento pessoal.

2. A partir de segmentos do texto, não é cabível a inferência registrada na seguinte alternativa:

a) “...queremos dar liberdade às vítimas do vosso ódio, capricho, ganância...”(§ 6) - Da referência à ganância de Simão Bacamarte, pode-se inferir que, para o barbeiro, o médico internava os doentes motivado pelos lucros que teria.
b) “O alienista sorriu, mas o sorriso desse grande homem não era coisa visível aos olhos da multidão...” (§ 7) - Além da ironia do narrador, o segmento revela que a total discrição no sorriso pode denunciar a superioridade do cientista frente aos mortais comuns.
c) “...o que não farei a leigos nem a rebeldes.”(§ 8) - Estivesse sendo o alienista questionado por uma comissão de médicos, eles certamente seriam recebidos.
d) “Demais fora tão longe na arruaça que a derrota seria a prisão.”(§ 9) - Porfírio chegara à conclusão de que realmente poderia prender o alienista.
e) “...sentiu um impulso de indignação, e quis bradar-lhes: ¾ Canalhas! Covardes! ¾ mas conteve-se...” (§ 9) - A julgar pela adesão dos revoltosos, pode-se dizer que a contenção verbal de Porfírio fora bastante estratégica.


3. Ao longo desse segmento, Simão Bacamarte se apresenta ao leitor como uma pessoa:

I) corajosa, de muito sangue frio, o que fica evidente no segundo parágrafo, pois, apesar de a turba pedir-lhe a cabeça, ele, ainda assim, pretende falar-lhes.
II) cínica, fingida, o que fica bem claro no terceiro parágrafo, pois ele, mantendo reclusas várias pessoas em perfeitas condições mentais e tendo consciência disso, devia, obviamente, saber o que os revoltosos pediam.
III) eloqüente, com poder de argumentação, conforme denuncia o oitavo parágrafo, em que ele expõe que negar os seus atos de médico seria negar a si mesmo.

Está (estão) correto (s) o(s) item (itens):

a) I
b) I e II
c) I, II e III
d) II e III
e) I e III

4. Interpretação coerente e uso culto da língua portuguesa fazem-se presentes na alternativa:
a) No final, a turba acabou preferindo mais as idéias do alienista do que as do barbeiro.
b) Tranqüilo, senhor de suas idéias, o alienista assistiu a manifestação contra a Casa Verde.
c) Os manifestantes visavam a transferência do hospício para lugar mais afastado.
d) O barbeiro certamente perdoaria os revoltosos se eles aderissem às idéias do alienista.
e) Os revoltosos aspiravam à liberdade dos que estavam internados na Casa Verde.

5. A relação semântica expressa pela oração ou termo em destaque está correta em todas as alternativas, exceto:

a) “Então o barbeiro, agitando o chapéu, a fim de impor silêncio à turba, conseguiu aquietar os ânimos...”(§ 2) - FINALIDADE, PROPÓSITO
b) “- Direi pouco, ou até não direi nada, se for preciso.” (§ 3) - CONDIÇÃO
c) “O barbeiro, logo que o percebeu, sentiu um impulso de indignação...”(§ 9) - CONSEQÜÊNCIA, RESULTADO
d) “O alienista caminhou para a varanda da frente...”(§ 2) - LOCATIVO
e) “O alienista sorriu, mas o sorriso (...) não era coisa visível aos olhos da multidão.” (§ 7) -OPOSIÇÃO, CONTRASTE

6. “Ou morrereis a pão e água, talvez a chicote, na masmorra daquele inimigo.” (§ 10) Nesse pequeno trecho, Porfírio imagina a situação trágica dos internos da Casa Verde. Lendo-se o livro todo, ficamos sabendo que a fala do personagem:

a) procedia parcialmente, pois em alguns casos o alienista indicava uma dieta à base de pão e água.
b) procedia parcialmente, pois os loucos furiosos eram submetidos a sessões de tortura.
c) procedia totalmente, pois a tortura e a dieta à base de pão e água faziam mesmo parte da terapêutica do alienista.
d) fundamenta-se na experiência que Porfírio tivera como enfermeiro de um manicômio.
e) funciona como um mero artifício de retórica, usado pelo barbeiro para persuadir seus seguidores.

7. No primeiro capítulo , diz o narrador que “A idéia de meter os loucos na mesma casa, vivendo em comum, pareceu em si mesma sintoma de demência e não faltou quem o insinuasse à própria mulher do médico”. O final da obra, por sua vez, acaba confirmando a demência de Simão Bacamarte, que se considerou louco porque:

a) teve a infeliz idéia de trancar os doentes mentais em um hospício.
b) possuía perfeito equilíbrio das faculdades mentais.
c) escolhera como esposa uma mulher estéril.
d) tinha alguns traços de desequilíbrio, assim como a maioria das pessoas.
e) possuía traços de acentuado desequilíbrio mental.

8. Passagens de O Alienista são comentadas nas alternativas seguintes, levando-se em conta desdobramentos do enredo. Em um dos casos, contudo, o comentário não condiz com o enredo. Indique-o.

a) “Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora...” - Desse casamento não resultaram filhos, frustrando os prognósticos do alienista, que vira na saúde da esposa indícios de uma prole robusta e inteligente.
b) “Todo o tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde, era pouco para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as gentes, sobre trinta mil assuntos, e virgulando as falas de um olhar que metia medo aos mais heróicos.” - Essa conduta do doutor Bacamarte antecede a chamada fase do “terror” em que o médico recolhe à Casa Verde a maioria da população, por apresentar qualquer traço de desequilíbrio.
c) “D Evarista era a esperança de Itaguaí; contava-se com ela para minorar o flagelo da Casa Verde. Daí as aclamações públicas.” - Após chegar do Rio de Janeiro, D. Evarista não frustrou as expectativas e, por causa de sua intervenção, o alienista, por amor à esposa, deu alta a vários enfermos.
d) “Deteve-os um incidente: era um corpo de dragões que, a marche-marche, entrava na Rua Nova.” - Os dragões foram convocados para conter a rebelião liderada pelo barbeiro Porfírio, mas acabaram aderindo ao movimento.
e) “...o boticário imaginou que, uma vez preso o alienista, viriam também buscá-lo a ele na qualidade de cúmplice.” - O receio de ser preso levou Crispim Soares, apesar de amigo do alienista, a aderir aos Canjicas, sendo, por isso, posteriormente recolhido à Casa Verde.

9. A melhor justificativa para o título da obra “O Alienista” encontra-se na alternativa:

a) O principal personagem da obra era especialista em doenças mentais.
b) Vários personagens da obra padecem de problemas psicológicos.
c) O livro apresenta uma crítica à auto-suficiência dos cientistas.
d) Apenas o personagem Simão Bacamarte não era considerado louco em Itaguaí.
e) O personagem central implantou uma espécie de ditadura científica.

10. Ciência é o modo acertado
de, por nova experiência,
demonstrar que estava errado
todo o acerto da ciência.
PIATIGÓRSKY, Zálkind. Apud LEITE, Roberto et alii. Comunicação/interpretação. São Paulo: Nacional, 1978, v.4. p. 19.
Leia as seguintes concepções de Simão Bacamarte a respeito de seus estudos e marque a alternativa que registra aquela(s) que se afina(m) com a temática da quadra acima.

I. “A loucura (...) era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente.”
II. “ ... se devia admitir como normal e exemplar o desequilíbrio (...) e como hipóteses patológicas todos os casos em que aquele equilíbrio fosse ininterrupto...”
III. “ Meus senhores, a ciência é coisa séria, e merece ser tratada com seriedade.”
IV. “ A caridade, Sr. Soares, entra decerto no meu procedimento (...) O principal nesta minha obra da Casa Verde é estudar profundamente a loucura...”

a) somente a I é correta.
b) I e II são corretas.
c) todas são incorretas.
d) todas são corretas.
e) I, II e IV são corretas.


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Respostas: 1. a 2. d 3. e 4. e 5. c 6. e 7. b 8. c 9. a 10. b

_________________________________________________________________________________* Walter Rossignoli, professor de língua portuguesa, é também autor de “Português; teoria e prática”, pela editora Ática (www.atica.com.br)







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Manutenção: Luís Gustavo Almeida

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