A Semana de Arte Moderna
De 11 a 18 de fevereiro de 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil e fundação do Partido Comunista Brasileiro.
O Brasil nas primeiras décadas do século XX
· São Paulo torna-se o centro econômico-cultural do país.
· Greve geral de 1917.
· Tenentismo (1922-1924)
· Coluna Prestes (1925)
Por que São Paulo se torna o centro econômico-cultural do país?
· Crescimento industrial
· Imigração
· Urbanização
· Combinação do capital das lavouras cafeeiras com o capital industrial
· Fusão das elites dominantes (casamentos entre burgueses imigrantes e filhas de fazendeiros).
Os anos precursores
A enumeração de alguns eventos que direta ou indiretamente motivaram a realização da Semana:
1911 – Publicação do jornal O Pirralho (caricaturas e irreverências), sob a direção do paulista Osvald de Andrade e do paranaense Emílio de Menezes.
1912 – Oswald de Andrade retorna da Europa, impregnado do Futurismo de Marinetti, e afirmando que “estamos atrasados cinqüenta anos em cultura, chafurdados ainda em pleno Parnasianismo”.
1913 – Lasar Segall, pintor lituano, realiza “a primeira exposição de pintura não acadêmica em nosso país”, nas palavras de Mário de Andrade.
1914 – Primeira exposição de pintura de Anita Malfati, que retorna da Europa trazendo influências pós-impressionistas.
1915 – Organização da revista Orpheu, com manifestos e poemas do Modernismo português, por Luís de Montalvor, chanceler da Legação Portuguesa, e Ronald de Carvalho, futuro participante da Semana.
1917 – Mário de Andrade e Oswald de Andrade, os dois grandes líderes da primeira geração de nosso Modernismo, tornam-se amigos.
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Publicação de Há uma Gota de Sangue em cada Poema; livro de poemas de Mário de Andrade, que utilizou o pseudônimo Mário Sobral para assinar essa obra pacifista, protestando contra a Primeira Guerra Mundial.
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Publicação de Moisés e Juca Mulato, poemas regionalistas de Menotti del Picchia, que conseguem sucesso junto ao público.
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Publicação de A Cinza das Horas, de Manuel Bandeira.
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Segunda exposição de Anita Malfati, exibindo quadros expressionistas, criticados com dureza por Monteiro Lobato, no artigo Paranóia ou Mistificação, publicado no jornal O Estado de S. Paulo.
1919 – Publicação de Carnaval, de Manuel Bandeira, já com versos livres.
1920 – Oswald de Andrade descobre Victor Brecheret, escultor que se aperfeiçoara em Roma e que expõe a maquete do Monumento às Bandeiras, entusiasmando os jovens intelectuais.
1921 – Banquete no palácio do Trianon, em homenagem ao lançamento de As Máscaras, de Menotti del Picchia. Oswald de Andrade faz um discurso, afirmando a chegada da revolução modernista no Brasil.
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Exposição de quadros de Vicente do Rego Monteiro, em Recife e no Rio de Janeiro, explorando a temática indianista.
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Mostra de desenhos e caricaturas de Di Cavalcanti, denominada Fantoches da Meia-Noite, na cidade de São Paulo.
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Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Cândido Mota Filho e Mário de Andrade divulgam o Modernismo em revistas e jornais.
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Oswald de Andrade publica um artigo sobre os poemas de Mário de Andrade, intitulando-o O Meu Poeta Futurista. A partir de então, apesar da recusa de Mário de Andrade em aceitar a designação, a palavra futurismo passa a ser utilizada indiscriminadamente para toda e qualquer manifestação de comportamento modernista, em tom na maioria das vezes pejorativo. Em contrapartida, os modernistas chamam de passadistas os defensores da tradição em geral.
Como foi a Semana e sua repercussão
· Correio Paulistano publicou a notícia, em 29/01/1922, divulgando a realização da Semana, em tom neutro.
· Em 22/2/1922, o jornal A Gazeta publicou notícia sobre a realização da Semana em tom crítico.
· Comissão organizadora: Paulo Prado, Alfredo Pujol, Oscar Rodrigues Alves, René Thiollier.
· Participantes:
Música: Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novaes e Ernâni Braga.
Literatura: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida, Plínio Salgado, Sérgio Milliet, Afonso Schimidt, Graça Aranha.
Pintura: Anita Malfati, Di Cavalcanti.
Escultura: Victor Brecheret
· Teatro Municipal, cujo público burguês e aristocrático se acostumara às operas estrangeiras, transformaou-se em palco de momentos de algazarra e de total confusão que configuram o “choque” provocado pelos modernistas.
Os Festivais
Foram três os festivais, ocorridos nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro.
Primeiro dia – 13 de fevereiro
· Graça Aranha, líder oficial do movimento e membro da ABL, profere palestra A emoção estética na Arte Moderna, ilustrada por uma peça musical de Eric Satie (paródia irreverente da Marcha Fúnebre, de Chopin, executada ao piano por Ernâni Braga.
· Declamação de poemas modernistas por Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho.
· Ronald de Carvalho fala sobre A Pintura e a Escultura Moderna no Brasil, seguido de solos de piano interpretados por Ernâni Braga, além de três danças africanas, de Villa Lobos.
· Guiomar de Novaes, considerada uma virtuosa no piano, reclama da sátira de Choppin
Segundo dia – 15 de fevereiro
Todos esperam algazarra, reação contrária do público. Menotti del Picchia, em seu discurso, prevê que os conservadores desejam enforcá-los um a um, nos finos assobios de suas vaias, mas assim mesmo ele desfia o ideário do grupo em sua fala.
Em represália às vaias, Ronald de Carvalho declama o poema Os Sapos, de Manuel Bandeira.
· Municipal estava aberto desde o início da tarde para o público visitar a mostra de artes plásticas e arquitetura, montada no saguão do Teatro. Diante das telas a reação dominante foi o choque e a indignação. Também as esculturas de Brecheret não mereceram do “respeitável público” outro comentário que não fosse a crítica intolerante e preconceituosa.
Apresentação de dança de Ivonne Daumerie e com a apresentação de Guiomar Novaes “querida pela platéia paulista”, fez-se o silêncio. A vaia retoma quando Mário de Andrade, em pé na escadaria interna do Teatro Municipal, lê algumas páginas de A Escrava que não é Isaura, esboço de um futuro trabalho sobre poética moderna.
A 2ª parte do segundo festival programou uma conferência do folclorista e crítico musical Renato de Almeida: Perennis Poesia, retumbante gozação ao culto das rimas ricas, à poesia de fita métrica, escrita em rançosa linguagem lusitanizante.
Quando Heitor Villa-Lobos, como bom maestro, entra no palco usando a devida casaca, mas arrastando chinelos e um guarda-chuva como bengala, o público volta a latir, indignado com o acinte desta atitude futurista. E não era nada disso: casualmente, o compositor fora atacado de ácido úrico nos pés e não podia calçar sapatos.
Último dia – 17 de fevereiro
A tranqüilidade prevaleceu, com apenas metade do público aplaudindo o programa musical, baseado num repertório já conhecido de Villa-Lobos.