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Parnasianismo brasileiro

      Na segunda metade do século XIX, o contexto sociopolítico europeu mudou profundamente. Lutas sociais, tentativas e revolução, novas idéias políticas, científicas... O mundo agitava-se e a literatura não podia mais, como no tempo do Romantismo, viver de idealizações, do culto do eu e da fuga à realidade. Era necessária uma arte mais objetiva, que atendesse ao desejo do momento: o de analisar, compreender, criticar e transformar a realidade. Como resposta a essa necessidade, nascem quase ao mesmo tempo três tendências anti-românticas na literatura, que se entrelaçam e se influenciam mutuamente: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo.

      Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame da realidade, o Parnasianismo representou na poesia o retorno à orientação clássica, ao princípio do belo na arte, à busca do equilíbrio e da perfeição formal.

      Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não no mundo exterior.

      Se examinarmos a seqüência histórica da arte e da literatura, veremos que elas se constroem a partir de ciclos. O homem está sempre rompendo com aquilo que considera ultrapassado e propondo algo novo Contudo, esse novo, muitas vezes, não passa de algo ainda mais velho, revestido de uma linguagem diferente.

      Assim foi o Parnasianismo no Brasil, na década de 80 do século XIX. Depois da revolução romântica, que impôs novos parâmetros e valores artísticos, surgiu em nosso pais um grupo de poetas parnasianos que desejava restaurar a poesia clássica, desprezada pelos românticos.

      Os parnasianos achavam que certos princípios românticos, como a busca de uma poesia mais acessível, da paisagem nacional, de uma língua brasileira, dos sentimentos, tudo isso teria feito perder as verdadeiras qualidades da poesia. Em seu lugar propõem, então, uma poesia objetiva, de elevado nível vocabular, racionalista, perfeita do ponto de vista formal e voltada a temas universais.

      A “arte pela arte”

      Apesar de contemporâneos, o Parnasianismo difere profundamente do Realismo e do Naturalismo. Enquanto esses movimentos se propunham a analisar e compreender a realidade social e humana, o Parnasianismo se distancia da realidade e se volta para si mesmo. Defendendo o princípio da “arte pela arte”, os parnasianos achavam que o objetivo maior da arte não é tratar dos problemas humanos e sociais, mas alcançar a “perfeição” em sua construção: rimas, métrica, imagens, vocabulário seleto, equilíbrio, controle das emoções, etc.

      Observação: “Arte sobre a Arte”

      Distanciados dos problemas sociais, alguns parnasianos dedicam-se a tematizar em seus poemas a própria arte. Por exemplo, descrevem com precisão obras de arte, como vasos, peças de escultura, lápides tumulares, bordados, etc. Nesse caso, trata-se de uma restrição ainda maior do princípio da “arte pela arte”, que se transforma em “arte sobre a arte”.

      A influência clássica

      A origem da palavra Parnasianismo associa-se ao Parnaso grego, segundo a lenda, um monte da Fócida, na Grécia central, consagrado a Apolo e às musas. A escolha do nome já comprova o interesse dos parnasianos pela tradição clássica. Acreditavam que, assim, estariam combatendo os exageros de emoção e fantasia do Romantismo e, ao mesmo tempo, garantindo o equilíbrio desejado, por se apoiarem nos modelos clássicos.

      Contudo a presença de elementos clássicos na poesia parnasiana não ia além de algumas referências a personagens da mitologia e de um enorme esforço de equilíbrio formal. Pode-se afirmar que não passava de um verniz que revestiu artificialmente essa arte, como forma de garantir-lhe prestígio entre as camadas letradas do público consumidor brasileiro.

      A “Batalha do Parnaso”

      As idéias parnasianas já vinham sendo difundidas no Brasil desde os anos 70 do século XIX. Contudo foi no final dessa década que se travou no jornal Diário do Rio de Janeiro uma polêmica literária que reuniu, de um lado, os adeptos do Romantismo e, de outro, os adeptos do Realismo e do Parnasianismo. O saldo da polêmica, que ficou conhecida como Batalha do Parnaso, foi a ampla divulgação das idéias do Realismo e do Parnasianismo nos meios artísticos e intelectuais do país.

      A primeira publicação considerada parnasiana propriamente dita é a obra Fanfarras (1882), de Teófilo Dias. Entretanto caberia a Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Vicente de Carvalho e Francisca Júlia o papel de implantar e solidificar o movimento entre nós, bem como definir melhor os contornos de seu projeto estético.

      Observação: abolicionismo, república e vasos gregos

      Vale lembrar que o Parnasianismo se firmou no Brasil na década de 80 do século XIX. Nesse momento se davam as lutas sociais decisivas pela abolição da escravatura e pela república. Apesar disso, o parnasiano Alberto de Oliveira afirmou: “Eu hoje dou a tudo de ombros, pouco me importam paz ou guerra e não leio jornais”. Distante dos problemas sociais, Alberto de Oliveira descreve então seu “Vaso grego”.

      A linguagem da poesia parnasiana

      A poesia parnasiana pretende ser universal. Por isso utiliza uma linguagem objetiva, que busca a contenção dos sentimentos e a perfeição formal. Seus temas são, igualmente, universais: a natureza, o tempo, o amor, objetos de arte e, principalmente, a própria poesia.

      Observação: a máquina de fazer versos

      O poeta modernista Oswald de Andrade, em seu Manifesto da Poesia Pau-Brasil, desfere várias críticas aos poetas parnasianos, dentre as quais a rigidez formal excessiva e a falta a liberdade no ato da criação poética. Diz ele, ironicamente: “Só não me inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano”.

      (In Literatura Brasileira, de William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, Editora Atual, 1995)

      Cronologia

      Início: 1882, publicação do livro Fanfarras, de Teófilo Dias.

      Término: 1893, início do Simbolismo no Brasil.

      Principais escritores:

      Olavo Bilac

      Raimundo Correia

      Alberto de Oliveira

      Vicente de Carvalho

      Características do Parnasianismo

  • Formas poéticas tradicionais: com esquema métrico rígido, rima, soneto.
  • Purismo e preciosismo vocabular, com predomínios de termos eruditos, raros, visando à máxima precisão e de construções sintáticas refinadas. Escolhe as palavras no dicionário para escrever o poema com palavras difíceis.
  • Tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema e assim separando o sujeito criador do objeto criado.
  • Destaque ao erotismo e à sensualidade feminina.
  • Referências à mitologia greco-latina.
  • esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”. O assunto não é importante, o que importa é o jeito de escrever.
  • A visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um ourives que talha e lapida a jóia.
  • Transpiração no lugar da inspiração romântica. O escritor precisa trabalhar muito, suar a camisa, para fazer uma boa obra. Poeta é comparado ao ourives.
Textos

      O poema Profissão de Fé revela os princípios estéticos do Parnasianismo

      PROFISSÃO DE FË

      Le poète est ciseleur,

      Le ciseleur est poète(1).

      Victor Hugo

      Não quero o Zeus Capitolino(2),

      Hercúleo e belo,

      Talhar no mármore divino

      Com o camartelo(3).

      Que outro - não eu - a pedra corte

      Para, brutal,

      Erguer de Atene(4) o altivo porte

      Descomunal.

      Mais que esse vulto extraordinário,

      Que assombra(5) a vista,

      Seduz-me um leve relicário(6)

      De fino artista.

      Invejo o ourives quando escrevo:

      Imito o amor

      Com que ele, em ouro, o alto-relevo

      Faz de uma flor.

      Imito-o. E, pois, nem de Carrara(7)

      A pedra firo:

      O alvo cristal, a pedra rara,

      O ônix(8) prefiro.

      Por isso, corre, por servir-me,

      Sobre o papel

      A pena, como em prata firme

      Corre o cinzel(9).

      Corre; desenha, enfeita a imagem,

      A idéia veste:

      Cinge-lhe(10) ao corpo a ampla roupagem

      Azul-celeste.

      Torce, aprimora, alteia(11), lima

      A frase; e, enfim,

      No verso de ouro engasta(12) a rima,

      Como um rubim(13).

      Quero que a estrofe cristalina,

      Dobrada ao jeito

      Do ourives, saia da oficina

      Sem um defeito:

      E que o lavor(14) do verso, acaso,

      Por tão sutil,

      Possa o lavor lembrar de um vaso

      De Becerril(15).

      E horas sem conta(16) passo, mudo,

      O olhar atento,

      A trabalhar, longe de tudo

      O pensamento.

      Porque o escrever - tanta perícia,

      Tanta requer,

      Que ofício tal.., nem há notícia

      De outro qualquer.

      Assim procedo. Minha pena

      Segue esta norma,

      Por te servir, Deusa serena,

      Serena Forma!

      Deusa! A onda vil, que se avoluma

      De um tôrvo mar,

      Deixa-a crescer, e o lodo e a espuma

      Deixa-a rolar!

      Blasfemo - em grita surda e horrendo

      Ímpeto, o bando

      Venha dos Bárbaros crescendo,

      Vociferando...

      Deixa-o: que venha e uivando passe

      — Bando feroz!

      Não se te mude a côr da face

      E o tom da voz!

      Olha-os somente, armada e pronta,

      Radiante e bela:

      E, ao braço o escudo, a raiva afronta

      Dessa procela!(17)

      Este que à frente vem, e o todo

      Possui minaz(18)

      De um Vândalo ou de um Visigodo,

      Cruel e audaz;

      Este, que, de entre os mais, o vulto

      Ferrenho alteia,

      E, em jacto, expele o amargo insulto

      Que te enlameia:

      É em vão que as forças cansa, e à luta

      Se atira; é em vão

      Que brande no ar a maça bruta

      À bruta mão.

      Não morrerás, Deusa sublime!

      Do trono egrégio(19)

      Assistirás intacta ao crime

      Do sacrilégio(20).

      E, se morreres porventura,

      Possa eu morrer

      Contigo, e a mesma noite escura

      Nos envolver!

      Ah! ver por terra, profanada,

      A ara (21) partida;

      E a Arte imortal aos pés calcada,

      Prostituída!...

      Ver derribar(22) do eterno sólio(23)

      O Belo, e o som

      Ouvir da queda do Acropólio (24),

      Do Partenon!...(25)

      Sem sacerdote, a Crença morta

      Sentir, e o susto

      Ver, e o extermínio, entrando a porta

      Do templo augusto!...(26)

      Ver esta língua, que cultivo,

      Sem ouropéis, (27)

      Mirrada (28) ao hálito nocivo

      Dos Infieis!.,,

      Não! Morra tudo que me é caro(29),

      Fique eu sozinho!

      Que não encontre um só amparo

      Em meu caminho!

      Que a minha dor nem a um amigo

      Inspire dó...

      Mas, ah! que eu fique só contigo,

      Contigo só!

      Vive! que eu viverei, servindo

      Teu culto, e, obscuro,

      Tuas custódias (30) esculpindo

      No ouro mais puro.

      Celebrarei o teu ofício

      No altar: porém,

      Se inda é pequeno o sacrifício,

      Morra eu também!

      Caía eu também, sem esperança,

      Porém tranqüilo,

      Inda, ao cair, vibrando a lança,

      Em prol (31) do Estilo!

      Rio de Janeiro, julho de 1886

      Vocabulário

      (1)O poeta é escultor/O escultor é poeta.

      (2) O adjetivo capitolino vem de Capitólio, morada do deus Júpiter, soberano entre os deuses romanos. É provável que Bilac tenha se equivocado, pois associa o adjetivo ao deus grego.

      (3) camartelo = martelo agudo ou com gume de um lado e redondo ou quadrado em outro, e que é usado para desbastarpedras.

      (4) Atene ou Atena = na mitologia grega, era a deusa dos combates militares e da sabedoria. Representava o aspecto intelectual da guerra.

      (5) assombrar = toldar, escurecer; assustar, espantar.

      (6) relicário = recinto especial, cofre ou caixa para guardar as relíquias de um santo.

      (7) Carrara = região italiana famosa por seus mármores, mais brancos e mais puros que os outros. Era o mármore preferido, por exemplo, por Michelângelo.

      (8) ônix = variedade de ágata entre cujas camadas se observa sensível variedade de cor. Mármore com camadas policrômicas.

      (9) cinzel = instrumento de aço, cortante numa das extremidades e usado especialmente por escultores e gravadores.

      (10) cingir = rodear, cercar; prender ou ligar em volta.

      (11) altear = erguer, elevar.

      (12) engastar = embutir ou encravar em ouro, prata, etc. Encaixar.

      (13) rubim = forma erudita de rubi.

      (14) lavor = forma erudita de trabalho”.

      (15) becerril = antigo artesão romano.

      (16) horas sem conta = muitas horas.

      (17) procela = tempestade marítima.

      (18) minaz = ameaçador.

      (19) egrégio = muito distinto; nobre, ilustre.

      20) sacrilégio = uso profano de pessoa, lugar ou objeto sagrado.

      (21) ara = altar.

      (22) derribar = fazer cair, abater.

      (23) sólio = assento real, trono.

      (24) acropólio ou acrópole = santuário localizado no ponto mais alto da antiga cidade grega.

      (25) Partenon = antigo templo grego que se ergue na Acrópole de Atenas. É considerado a mais bela construção erguida na Grécia antiga.

      (26) augusto = respeitável, venerando.

      (27) ouropel = liga metálica de cobre amarelo, ou latão e zinco, que imita o ouro; ouro falso. Em sentido figurado significa falso brilho, aparência enganosa.

      (28) mirrado = seco, ressequido; murcho.

      (29) caro = que é tido em grande valor ou estima.

      (30) custódia = guarda, segurança, proteção.

      (31) em prol de = em proveito de, em favor de.

      Dualismo

      Olavo Bilac

      Não és bom, nem és mau; és triste e humano...

      Vives ansiando, em maldições e preces.

      Como se, a arder, no coração tivesses

      O tumulto e o clamor de um largo oceano.

      Pobre, no bem como no mal, padeces;

      E, rolando num vórtice vesano,

      Oscilas entre a crença e o desengano,

      Entre esperanças e desinteresses.

      Capaz de horrores e de ações sublimes,

      Não ficas das virtudes satisfeito,

      Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

      E, no perpétuo ideal que te devora,

      Residem juntamente no teu peito

      Um demônio que ruge e um deus que chora.

      Vocabulário

      clamor: grito

      vórtice: redemoinho

      vesano: delirante

      oscilar: mover-se de um lado para outro

      sublime: quase perfeito, admirável

      perpétuo: perene, eterno

      rugir: urrar

      As Pombas...

      Raimundo Correia

      Vai-se a primeira pomba despertada ...

      Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas

      De pombas vão-se dos pombais, apenas

      Raia sangüínea e fresca a madrugada ...

      E à tarde, quando a rígida nortada

      Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,

      Ruflando as asas, sacudindo as penas,

      Voltam todas em bando e em revoada...

      Também dos corações onde abotoam,

      Os sonhos, um por um, céleres voam,

      Como voam as pombas dos pombais;

      No azul da adolescência as asas soltam,

      Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,

      E eles aos corações não voltam mais...

      Vocabulário

      nortada: Vento frio e/ou áspero que sopra do norte.

      Língua Portuguesa

      Olavo Bilac

      Última flor do Lácio, inculta e bela,

      És, a um tempo, esplendor e sepultura:

      Ouro nativo, que na ganga impura

      A bruta mina entre os cascalhos vela...

      Amo-te assim, desconhecida e obscura,

      Tuba de alto clangor, lira singela,

      Que tens o trom e o silvo da procela

      E o arrolo da saudade e da ternura!

      Amo o teu viço agreste e o teu aroma

      De virgens selvas e de oceano largo!

      Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

      Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"

      E em que Camões chorou, no exílio amargo,

      O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

      Vocabulário

      ganga: resíduo inaproveitável de um minério

      tuba: instrumento musical de sopro, semelhante à trombeta

      clangor: som forte, como o da trombeta

      lira: instrumento musical de cordas.

      trom: som de trovão ou de canhão

      procela: tempestade marítima

      arrolo: canto para adormecer criança; arrulho.

      Velho Tema

      Vicente de Carvalho

      Só a leve esperança em toda a vida

      Disfarça a pena de viver, mais nada;

      Nem é mais a existência, resumida,

      Que uma grande esperança malograda.

      O eterno sonho da alma desterrada,

      Sonho que a traz ansiosa e embevecida,

      É uma hora feliz, sempre adiada

      E que não chega nunca em toda a vida.

      Essa felicidade que supomos,

      Árvore milagrosa que sonhamos

      Toda arreada de dourados pomos,

      Existe, sim: mas nós não a alcançamos

      Porque está sempre apenas onde a pomos

      E nunca a pomos onde nós estamos.

      Vaso Chinês

      Alberto de Oliveira

      Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,

      Casualmente, uma vez, de um perfumado

      Contador sobre o mármor luzidio,

      Entre um leque e o começo de um bordado.

      Fino artista chinês, enamorado,

      Nele pusera o coração doentio

      Em rubras flores de um sutil lavrado,

      Na tinta ardente, de um calor sombrio.

      Mas, talvez por contraste à desventura,

      Quem o sabe?... de um velho mandarim

      Também lá estava a singular figura.

      Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,

      Sentia um não sei quê com aquele chim

      De olhos cortados à feição de amêndoa.

      Biografias dos poetas parnasianos

      Biografia de Olavo Bilac

      Um dos mais notáveis poetas brasileiros, prosador exímio e orador primoroso, nasceu e morreu no Rio de Janeiro, espectivamente, em 1865 e 1918. Aluno da Faculdade de Medicina até o quinto ano, depois de brilhante concurso que ali fez para interno, e apesar do auspicioso futuro que todos lhe auguravam, desistiu do curso médico para tentar o de direito em São Paulo. Atraído, porém, pela vida fluminense, voltou ao Rio estreiando, com grande êxito, na imprensa literária.

      A irradiação do seu nome foi rápida, e fulgurou com a publicação de Poesias (incluindo Panóplias, Via Láctea e Sarças de Fogo - 1888). Foi um dos mais ardorosos propagandistas da abolição, ligando-se estreitamente a José do Patrocínio. Em 1900, partiu para a Europa como correspondente da publicação Cidade do Rio. Daí em diante, raro era o ano em que não visitava Paris.

      Exerceu vários cargos públicos no estado do Rio de Janeiro e na antiga Guanabara, tendo sido inspetor escolar, secretário do Congresso Panamericano e fundador da Agência Americana. Foi um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional (da qual foi secretário geral), tendo lutado pelo serviço militar obrigatório, que considerava uma foram de combate ao analfabetismo. Conferencista de platéias elegantes, sua obra tornou-se leitura obrigatória, sendo declamado nos círculos literários.

      Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, na cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.

      Considerado o maior nome parnasiano brasileiro, foi bastante influenciado pelos poetas franceses. Suas poesias revelam uma grande emoção, nada típica dos parnasianos, um certo erotismo e influência marcante da poesia portuguesa dos séculos XVI e XVII. A correção da linguagem, o rigor da forma e a espontaneidade são as principais características de seus versos.

      Além de Poesias também publicou Crônicas e Novelas, Conferências Literárias, Ironia e Piedade, Bocage, Crítica e Fantasia, e, em colaboração, Contos Pátrios (infantil), Livro de Leitura, Livro de Composição, Através do Brasil (os últimos três, pedagógicos), Teatro Infantil, Terra Fluminense, Pátria Brasileira, Tratado de Versificação, A Defesa Nacional (coleção de discursos), Últimas Conferências e Discursos, Dicionário Analógico (inédito) e Tarde (póstuma, coleção de 99 sonetos).

      Seu volume de Poesias Infantis, encomendado pela Livraria Francisco Alves, é uma coleção de 58 poemas metrificados falando sobre a natureza e a virtude. Segundo suas próprias palavras, "era preciso achar assuntos simples, humanos, naturais, que, fugindo da banalidade, não fossem também fatigar o cérebro do pequenino leitor, exigindo dele uma reflexão demorada e profunda".

      É autor do Hino à Bandeira Nacional.

      Raimundo Correia (1860-1911)

      Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu em 1859, no Maranhão.

      Formado em Direito pela Faculdade São Francisco, onde entrou em contato com as idéias positivistas e republicanas. Paralelamente à literatura, dedicou-se à diplomacia. Morreu na França, em 1911.

      Obras:

  • Primeiros Sonhos
  • Sinfonias
  • Versos e Versões
  • Aleluias e Poesias
Autor de uma poesia filosofante, pessimista, que tem como tema fundamental a passagem do tempo, a transitoriedade da vida. “No entanto, esse aspecto é nele muito desigual, com um peso negativo de falsa profundidade, na linha sentenciosa habitual aos parnasianos. O melhor da sua obra está nalgumas peças em que traduziu o mais profundo desencanto, seja do ângulo subjetivo, seja do ângulo exterior; ou em certos poemas nutridos de uma percepção fina e encantadora da natureza, aliada à mais efetiva magia versificatória...” (Antônio Cândi-do e J. Aderaldo Castello. Presença da Literatura Brasileira. Do Romantismo ao Simbolismo. São Paulo, Difel, 1966)

      Alberto de Oliveira (1857-1937)

      Antônio Mariano Alberto de Oliveira nasceu em Palmital de Saquarema, Rio de Janeiro, em 1857. Exerceu funções públicas e o magistério. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, foi aclamado, em 1924, Príncipe dos Poetas Brasileiros. Morreu em 1937.

      Considerado o poeta parnasiano mais disciplinado, mais apegado às regras e às características do estilo, estreou com Canções Românticas, livro romântico que antecipa sua adesão ao Parnasianismo. Depois publicou Meridionais e Versos e Rimas, estes já claramente parnasianos.

      Vicente de Carvalho ( 1866-1924)

      Vicente Augusto de Carvalho nasceu em Santos, em 1866. Formado em Direito pela Faculdade de São Francisco, dedicou-se à política, à magistratura e ao comércio. Morreu em 1924.

      Conhecido como “o poeta do mar”, publicou

      Ardentias

      Relicário

      Rosa

      Rosa de Amor

      Poemas e Canções



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