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   DIRETÓRIO Principal -> Literatura -> (documento)
Arcadismo ou Neoclassicismo
(anos 1700 )

      Século XVIII - Século das Luzes

  • Progressivo descrédito das monarquias absolutas;
  • decadência da aristocracia feudal;
  • crescimento do poder da burguesia;
  • Revolução Industrial inglesa;
  • Revolução Francesa.

      Pensamento da época

      Iluminismo: O uso da razão como meio para satisfazer as necessidades do homem. Os movimentos pela independência do Brasil, como a Inconfidência Mineira, por exemplo, inspiraram-nas nas idéias iluministas.

      Laicismo: Estado e igreja devem ser independentes, e as funções do Estado, como a política, a economia, a educação, exercidas por leigos.

      Liberalismo: ideologia política que defende os sistemas representativos, os direitos civis e a igualdade de oportunidades para os cidadãos.

      * três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário

      * Constituição

      * Todos estão sob a lei

      Empirismo: corrente filosófica que atribui à experiência sensível a origem de todo conhecimento humano.

      QUANTO À FORMA

      QUANTO AO CONTEÚDO

      Vocabulário simples

      Pastoralismo

      Frases na ordem direta

      Bucolismo

      Ausência quase total de figuras de linguagem

      Fugere urbem

      (fugir da cidade)

      Manutenção do verso decassílabo, do soneto e de outras formas clássicas

      Aurea mediocritas

      (vida simples)

      Elementos da cultura greco-latina (deuses pagãos)

      Convencionalismo amoroso (pseudônimos)

      Idealização amorosa

      Racionalismo

      Idéias iluministas

      Carpe diem

      (viver o presente)

      Portugal no século XVIII

      Na primeira metade do século

  • O reinado suntuoso de D. João V vive as grandes riquezas do ciclo do ouro de Minas Gerais.
  • Desperdício, obra monumentais.
  • Manutenção da Inquisição.
  • Influência aristocrática e clerical.
  • Monarquia absolutista.

      Na segunda metade do século (1750-1777)

      O déspota esclarecido Marquês de Pombal, ministro de D. José I, procurou, com reformas, alinhar Portugal com a Europa iluminista. O Neoclassicismo corresponde ao período do governo pombalino. Em 1759, Pombal expulsa os jesuítas dos domínios portugueses. Tal fato acelera a marginalização do clero na vida lusitana e estabelece o fim da influência e do ensino jesuítico..

      Sonetos de Bocage

      Manuel Maria Barbosa du Bocage.

      Biografia

      Manuel Maria Barbosa Du Bocage

      ( 1765-1805)

      Nasceu em Setúbal. Os quarenta anos de vida de Bocage foram marcados tanto pelo sofrimento e pelos insucessos de toda ordem quanto pelas agitações da aventura, das polêmicas e da boêmia.

      Aos 15 anos de idade ingressou no serviço militar, no regimento de Setúbal. Aos 21, incorporado à Marinha Real, foi para Goa, na Índia, onde serviu por três anos. Em 1789, não aceitando sua transferência para Damão, desertou e fugiu para a China. Ao retornar a Portugal, em 1790, sofreria a grande decepção de ver a namorada, Gertrudes, que ele deixara em Setúbal, casada com seu irmão, Gil Bocage.

      Sua carreira literária não foi menos acidentada. Por mais de três anos, participou da Nova Arcádia, da qual foi expulso depois de violenta polêmica com seus membros. Passou na prisão os anos de 1797 a 1799, por causa de suas sátiras, consideradas ofensivas ao governo e à Igreja. Libertado, os últimos anos de sua vida foram de arrependimento. Faleceu em 1805.

      1

      Olha, Marília, as flautas dos pastores

      Que bem que soam, como estão cadentes!

      Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes

      Os Zéfiros brincar por entre flores?

      Vês como ali beijando-se os Amores

      Incitam nossos ósculos ardentes!

      Ei-las de planta em planta as inocentes,

      As vagas borboletas de mil cores!

      Naquele arbusto o rouxinol suspira;

      Ora nas folhas a abelhinha pára,

      Ora nos ares sussurrando gira:

      Que alegre campo! Que manhã tão clara!

      Mas ah! tudo o que vês, se eu te não vira,

      Mais tristeza que a morte me causara.

      2

      Já se afastou de nós o Inverno agreste

      Envolto nos seus úmidos vapores;

      A fértil Primavera, a mãe das flores,

      O prado ameno de boninas veste.

      Varrendo os ares, o sutil Nordeste

      Os torna azuis; as aves de mil cores

      Adejam entre Zéfiros e Amores,

      E toma o fresco Tejo a cor celeste.

      Vem, ó Marília, vem lograr comigo

      Destes alegres campos a beleza,

      Destas copadas árvores o abrigo.

      Deixa louvar da corte a vã grandeza:

      Quanto me agrada mais estar contigo

      Notando as perfeições da Natureza!

      3

      O ledo passarinho, que gorjeia

      D’alma exprimindo a cândida ternura;

      O rio transparente, que murmura,

      E por entre pedrinhas serpenteia;

      O Sol, que o céu diáfano passeia,

      A Lua, que lhe deve a formosura,

      O sorriso da Aurora, alegre e pura,

      A rosa, que entre os Zéfiros ondeia;

      A serena, amorosa Primavera,

      O doce autor das glórias que consigo,

      A Deusa das paixões e de Citera;

      Quanto digo, meu bem, quanto não digo,

      Tudo em tua presença degenera,

      Nada se pode comparar contigo

      Arcadismo no Brasil

      (1768-1836)

      Cláudio Manuel da Costa

      v Obras Poéticas (1768) – Marco inicial do Arcadismo

      Tomás Antônio Gonzaga

      v Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu)

      1744-1810

  • Obra lírica

      v Marília de Dirceu

  • Obras satíricas

      v Cartas Chilenas (principal obra satírica do século XVIII, atribuída a Gonzaga)

      Obras épicas

      v O Uraguai (1769) – José Basílio da Gama

      v Vila Rica (composto por volta de 1773) – Cláudio Manuel da Costa.

      v Caramuru (1781) – Frei José de Santa Rita Durão.

      Incorporação do elemento indígena

      Outros poetas: Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto.

      Marília de Dirceu

      Duas tendências coexistem nas liras de Gonzaga:

      a) a contenção e o equilíbrio neoclássicos, com a utilização de todos os lugares-comuns do Arcadismo: um pastor, uma pastora, o campo, a serenidade da paisagem principal.

      b) o emocionalismo pré-romântico, na expressão pungente da crise amorosa e, posteriormente a prisão, da crise existencial do poeta.

      O sujeito lírico é o pastor Dirceu, que confessa seu amor pela pastora Marília. Eis a convenção neoclássica realizada, Mas é evidente que nos pastores se projeta o drama amoroso vivido por Gonzaga e Maria Dorotéia. A todo momento a emoção rompe o véu da estilização arcádica, brotando, dessa tensão, uma poesia de alta qualidade.

      " Eu tenho um coração maior que o mundo

      tu, formosa Marília, bem o sabes;

      um coração, e basta,

      onde tu mesma cabes"

      Os poemas se chamam liras.

      A obra se divide em duas partes (há uma terceira, cuja autenticidade é contestada por alguns críticos):

      1ª parte: contém os poemas escritos na época anterior à prisão de Gonzaga. Nela predominam as composições convencionais: o pastor Dirceu celebra a beleza de Marília em pequenas odes anacreônticas. Em algumas liras, entretanto, as convenções mal disfarçam a confissão amorosa do amor: a ansiedade de um quarentão apaixonado por uma adolescente; a necessidade de mostrar que não é um qualquer e que merece sua amada; os projetos de uma sossegada vida futura, rodeado de filhos e bem cuidado por suas mulher etc.

      2ª parte: escrita na prisão da ilha das Cobras. Os poemas exprimem a solidão de Dirceu, saudoso de Marília. Nesta segunda parte, encontramos a melhor poesia de Gonzaga. As convenções, embora ainda presentes, não sustentam o equilíbrio neoclássico. O tom confessional e o pessimismo prenunciam o emocionalismo romântico..

      Da primeira parte

      LIRA 14

      Minha bela Marília, tudo passa;

      A sorte deste mundo e mal segura;

      Se vem depois dos males a ventura,

      Vem depois dos prazeres a desgraça.

      Estão os mesmos Deuses

      Sujeitos ao poder do impio Fado:

      Apolo já fugiu do Céu brilhante,

      Já foi Pastor de gado.

      A devorante mão da negra Morte

      Acaba de roubar o bem, que temos;

      Até na triste campa não podemos

      Zombar do braço da inconstante sorte.

      Qual fica no sepulcro,

      Que seus avos ergueram, descansado;

      Qual no campo, e lhe arranca os brancos ossos

      Ferro do torto arado.

      Ah! enquanto os Destinos impiedosos

      Não voltam contra nos a face irada,

      Façamos, sim façamos, doce amada,

      Os nossos breves dias mais ditosos.

      Um coração, que frouxo

      A grata posse de seu bem difere,

      A si, Marília, a si próprio rouba,

      E a si próprio fere.

      Ornemos nossas testas com as flores;

      E façamos de feno um brando leito,

      Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,

      Gozemos do prazer de sãos Amores.

      Sobre as nossas cabeças,

      Sem que o possam deter, o tempo corre;

      E para nós o tempo, que se passa,

      Também, Marília, morre.

      Com os anos, Marília, o gosto falta,

      E se entorpece o corpo já cansado;

      Triste o velho cordeiro está deitado,

      E o leve filho sempre alegre salta.

      A mesma formosura

      E dote, que só goza a mocidade:

      Rugam-se as faces, o cabelo alveja,

      Mal chega a longa idade.

      Que havemos de esperar, Marília bela?

      Que vão passando os florescentes dias?

      As glórias, que vem tarde, já vem frias;

      E pode enfim mudar-se a nossa estrela.

      Ah! não, minha Marília,

      Aproveite-se o tempo, antes que faça

      0 estrago de roubar ao corpo as forças

      E ao semblante a graça.

      Da segunda parte

      LIRA 19

      N esta triste masmorra,

      De um semivivo corpo sepultura,

      Inda, Marília, adoro

      A tua formosura.

      Amor na minha idéia te retrata;

      Busca extremoso, que eu assim resista

      A dor imensa, que me cerca, e mata.

      Quando em meu mal pondero,

      Então mais vivamente te diviso:

      Vejo o teu rosto, e escuto

      A tua voz, e riso.

      Movo ligeiro para o vulto os passos;

      Eu beijo a tíbia luz em vez de face;

      E aperto sobre o peito em vão os braços

      Conheço a ilusão minha;

      A violência da magoa não suporto;

      Foge-me a vista, e caio,

      Não sei se vivo, ou morto.

      Enternece-se Amor de estrago tanto;

      Reclina-me no peito, e com mão terna

      Me limpa os olhos do salgado pranto.

      Depois que represento

      Por largo espaço a imagem de um defunto,

      Movo os membros, suspiro,

      E onde estou pergunto.

      Conheço então que amor me tem consigo;

      Ergo a cabeça, que inda mal sustento,

      E com doente voz assim 1he digo:

      "Se queres ser piedoso,

      Procura o sítio em que Marília mora,

      Pinta-1he o meu estrago,

      E vê, Amor, se chora.

      Se lágrimas verter, se a dor a arrasta,

      Uma delas me traze sobre as penas,

      E para alívio meu só isto basta."

      O Uraguai (1769)

      Basílio da Gama

      Modelo camoniano

      · cinco cantos

      · sem divisão estrófica

      · versos decassílabos brancos (sem rimas)

      · dez cantos

      · estrofes de oitava rima

      · esquema de rimas ABABABCC

      O Caramuru (1781)

      O poema de Santa Rita segue o modelo camoniano:

  • organização em dez cantos;
  • estrofes de oito versos;
  • esquema de rimas: ABABABCC.

      A estrutura é a tradicional: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

      O tema – a colonização da Bahia no século XVI



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Conteúdo: Hélio Consolaro
Manutenção: Luís Gustavo Almeida

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