Regência verbal
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A regência e o uso de preposições
Na construção de uma unidade significativa, algumas palavras exigem o acompanhamento de outros elementos da língua. Essa relação de dependência com vistas à formação de um significado é chamada regência.
A regência pode ser direta, quando a relação de dependência é imediata, ou indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições. A regência do substantivo sobre o adjetivo (como em "a menina bonita"), ou do verbo transitivo direto sobre seu complemento (ex.: "Maria ama Pedro") se dá de forma direta, enquanto a regência do substantivo sobre outro substantivo (como em "a filha de Maria") ou de um verbo transitivo indireto sobre seu complemento (ex.: "Maria gosta de Pedro") se faz necessariamente por meio de uma preposição.
Nos casos de regência indireta, é preciso observar que nem todas as preposições podem desempenhar o papel de ligar o regente ao regido. Além disso, o uso de uma ou outra preposição pode provocar alterações de significado bastante consideráveis (ex.: "ir para casa", "ir de casa", "ir na casa", etc.). Por isso, é preciso estar atento para o conjunto de preposições exigidas pelo regente, e para as implicações do seu uso.
A seguir alguns verbos da língua portuguesa que envolvem problemas freqüentes quanto à regência:
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CONSTRUÇÃO INADEQUADA
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CONSTRUÇÃO ADEQUADA
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estar de (greve)
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estar em (greve)
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namorar com
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namorar
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arrasar com
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arrasar
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repetir de (ano)
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repetir o (ano)
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Exemplos:
Suzana continuava a dizer que namorava com Mário. [Inadequado]
Suzana continuava a dizer que namorava Mário. [Adequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse de ano! [Inadequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse o ano! [Adequado]
Preposição
Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula.
Exemplos:
Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.
...[amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição]
...[de: preposição]
Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.
...[esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição]
...[com: preposição]
Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência.
Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento – chamado antecedente - é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez – chamado conseqüente – é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.
Exemplos:
A hora das refeições é sagrada.
...[hora das refeições: elementos ligados por preposição]
...[de + as = das: preposição]
...[hora: termo antecedente = rege a construção "das refeições"]
...[refeições: termo conseqüente = é regido pela construção "hora da"]
Alguém passou por aqui.
...[passou por aqui: elementos ligados por preposição]
...[por: preposição]
...[passou: termo antecedente = rege a construção "por aqui"]
...[aqui: termo conseqüente = é regido pela construção "passou por"]
As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.).
Preposições
Palavras invariáveis que exprimem relações entre duas partes de uma oração que dependem uma da outra.
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a
ante
após
até
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com
conforme
contra
consoante
de
desde
durante
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em
exceto
entre
mediante
para
perante
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por
salvo
sem
segundo
sob
sobre
trás
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Obs.: Dados os numerosos significados e utilizações que podem ser assumidos pelas diversas preposições, aconselha-se a consulta de uma gramática
Preposições acidentais
São aquelas que podem ligar termos de uma oração ou ter outras funções:
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, menos, salvo, segundo
Contração das preposições com artigos
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Artigos definidos
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Artigos indefinidos
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o a os as
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um uma uns umas
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a
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ao
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à
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aos
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às
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xxxx
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xxx
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xxxx
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xxxx
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de
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do
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da
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dos
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das
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dum
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duma
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duns
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dumas
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em
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no
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na
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nos
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nas
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num
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numa
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nuns
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numas
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por
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pelo
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pela
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pelos
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pelas
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xxxx
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xxxx
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xxxx
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xxxx
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Contração das preposições com pronomes
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Pronomes (1)
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este
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esta
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estes
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estas
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a
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-
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-
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-
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-
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de
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deste
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desta
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destes
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destas
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em
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neste
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nesta
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nestes
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nestas
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por
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-
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-
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-
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-
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(1) Dá-se a contração de preposições em outros pronomes: esse(s), essa(s), aquele(s), aquela(s), isto, aquilo, ele(s), ela(s).
Desempenham função idêntica à das preposições.
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abaixo de
acerca de
acima de
a despeito de
adiante de
a fim de
além de
antes de
ao lado de
ao redor de
a par de
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apesar de
a respeito de
atrás de
através de
de acordo com
debaixo de
de cima de
defronte de
dentro de
depois de
diante de
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em baixo de
em cima de
em frente a
em frente de
em lugar de
em redor de
em torno de
em vez de
graças a
junto a
perto de
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para baixo de
para cima de
para com
perto de
por baixo de
por causa de
por cima de
por detrás de
por diante de
por entre
por trás de
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Uso das locuções prepositivas
Certas construções da língua portuguesa constituem casos em que determinados termos se combinam de tal forma que não é permitida a variação seja qual for o contexto em que estão inseridas. Normalmente, trata-se de locuções (conjunto de palavras que formam uma unidade expressiva).
As
locuções prepositivas são elementos que não variam em gênero (feminino ou masculino) e número (singular ou plural). São, por isso, expressões fixas na língua portuguesa. A forma fixa dessas locuções, porém, não se resume à variação de gênero e número.
No decorrer da história da língua portuguesa, determinadas formas se consagraram. Muitos gramáticos postulam a adequação de uma forma e não outra para a língua escrita. Por isso, o emprego inadequado dessas construções configura-se um problema de linguagem.
Vejamos alguns exemplos freqüentes de uso inadequado de locuções prepositivas:
Exemplos:
A nível de experiência, tudo é válido. [Inadequado]
Em nível de experiência, tudo é válido. [Adequado]
Eles estavam em vias de cometer uma loucura. [Inadequado]
Eles estavam em via de cometer uma loucura. [Adequado]
A seguir, alguns exemplos de locuções em uso inadequado:
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EMPREGO INADEQUADO
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EMPREGO ADEQUADO
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a nível de
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em nível de
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à medida em que
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na medida em que
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ao mesmo tempo que
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ao mesmo tempo em que
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apesar que
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apesar de que
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de modo a
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de modo que
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a longo prazo
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em longo prazo
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em vias de
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em via de
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ao ponto de
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a ponto de
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de vez que
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uma vez que / portanto
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Note que o uso corrente das inadequações promove substituição ou supressão das preposições que compõem a expressão.
Além disso, é importante ressaltar que, embora estejamos nos referindo apenas às locuções prepositivas, o mesmo princípio pode ser aplicado às locuções conjuncionais ou locuções adverbiais. Vejamos, por exemplo, um caso em que a inadequação recai sobre uma locução adverbial:
Os amigos, na surdina, combinavam sobre tua festa. [Inadequado]
Os amigos, à surdina, combinavam sobre tua festa. [Adequado]
A crase e as preposições
A crase não deve ser empregada junto a algumas preposições.
Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições "a" e "até" empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição "a" torna-se obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição "a" e o artigo "a" (ou a simples possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição "até" admitirá a crase somente se a idéia expressa apontar para movimento.
Exemplos:
A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado]
A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]
Desde à assembléia os operários clamavam por greve. [Inadequado]
Desde a assembléia os operários clamavam por greve. [Adequado]
Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado]
Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]
...[termo regente: chamar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) sala / "a" = artigo]
...[sala: palavra feminina]
Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.
...[termo regente: levar a / "a" = preposição indicativa de movimento]
...[termo regido: (a) senzala / "a" = artigo]
...[senzala: palavra feminina]
Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase. Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição "até" é facultativo.
A regência e os verbos pronominais
Os
verbos pronominais são termos que, em geral, regem complementos preposicionados.
São considerados verbos pronominais aqueles que se apresentam sempre com um pronome obíquo átono como parte integrante do verbo (ex.: queixar-se, suicidar-se). Alguns verbos pronominais, porém, podem requerer um complemento preposicionado. É o caso, por exemplo, do verbo "queixar-se" (queixar-se de) e não do verbo "suicidar-se".
Quando os verbos pronominais exigirem complemento, esse deve sempre vir acompanhado de preposição.
Exemplos:
Naquele momento os fiéis arrependeram-se os seus pecados. [Inadequado]
Naquele momento os fiéis arrependeram-se dos seus pecados. [Adequado]
...[dos: de + os = dos / de = preposição]
...[dos seus pecados: objeto indireto]
Os biólogos do zoológico local dedicam-se as experiências genéticas. [Inadequado]
Os biólogos do zoológico local dedicam-se às experiências genéticas. [Adequado]
...[às: a (preposição) + as (artigo) = às]
...[às experiências genéticas: objeto indireto]
Note que, no exemplo (2), o verbo "dedicar-se" não é essencialmente pronominal, mas sim acidentalmente pronominal. Isto é, esse verbo pode se apresentar sem o pronome oblíquo e, nesse caso, deixa de ser pronominal (ex.: Ele dedicou sua vida ao pobres).
Casos como esse, porém, demonstram que, em princípio, qualquer verbo pode se tornar pronominal e, portanto, possuir um complemento preposicionado.
Verbo arrasar
Observe a letra da canção "Política voz", gravada pelo Barão Vermelho:
"Eu não sou um mudo balbuciando querendo falar
Eu sou a voz, a voz do outro, que há dentro de mim
Guardada, falante, querendo arrasar
com o teu castelo de areia
Que é só soprar, soprar
Soprar, soprar e ver tudo voar..."
Você notou alguma coisa diferente na letra? Nós vemos, a certa altura:
"Arrasar com o teu castelo de areia"
Existe aí um fenômeno lingüístico chamado contaminação. Em tese, o verbo arrasar é transitivo direto: uma coisa arrasa outra.
"O furacão arrasou a cidade."
Muitas vezes encontramos o verbo acabar sendo usado com o mesmo sentido:
"O furacão acabou com a cidade."
Assim, o que acontece é a transferência da regência do verbo acabar - com esse sentido de destruir, que requer a preposição "com" - para o verbo arrasar. Os sinônimos de certas palavras acabam recebendo a companhia da preposição que na verdade não exigem. O verbo arrasar é um deles. No padrão formal da língua, deve ser usado sem a preposição "com".
Os lingüistas podem argumentar que essa variante deve ser aceita, mas em nosso programa temos sempre a preocupação de ensinar o padrão formal e mostrar o que acontece nas variantes. No texto formal, quando você for escrever uma dissertação, utilize o verbo arrasar sem a preposição.
A regência e o verbo "aspirar"
O verbo "aspirar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "aspirar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de almejar, desejar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "o(s)" e "a(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de respirar, cheirar, inalar e não rege qualquer preposição.
A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "aspirar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1) é obrigatória a presença da preposição regida.
Exemplos:
Os quase mil candidatos aspiravam a única vaga disponível. [Inadequado]
Os quase mil candidatos aspiravam à única vaga disponível. [Adequado]
Os quase mil candidatos aspiravam a ela. [Adequado]
...[termo regente: aspirar a = desejar]
E eu era obrigado a aspirar ao mau cheiro dos canaviais... [Inadequado]
E eu era obrigado a aspirar o mau cheiro dos canaviais... [Adequado]
E eu era obrigado a aspirá-lo. [Adequado]
...[termo regente: aspirar = inalar]
A regência e o verbo "assistir"
O verbo "assistir" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "assistir", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de presenciar, ver, observar; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de caber (direito a alguém), pertencer; rege a preposição "a" e admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de socorrer, prestar assistência e não rege qualquer preposição.
A é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "assistir" for empregado para indicar os sentidos apontados em (1) e (2), é obrigatória a presença da preposição regida.
Exemplos:
Os mais velhos insistiam em querer assistir o jogo em pé. [Inadequado]
Os mais velhos insistiam em querer assistir ao jogo em pé. [Adequado]
Os mais velhos insistiam em querer assisti a ele em pé. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = ver, observar]
Assiste o médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Inadequado]
Assiste ao médico o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
Assiste-lhe o direito de solicitar as informações sobre seu cliente. [Adequado]
...[termo regente: assistir a = caber, pertencer]
Tua equipe assistiu aos processos de forma brilhante e participativa. [Inadequado]
Tua equipe assistiu os processos de forma brilhante e participativa. [Adequado]
Tua equipe os assistiu de forma brilhante e participativa. [Adequado]
...[termo regente: assistir = prestar assistência, socorrer]
Verbo custar
No sentido de ser custoso, ser difícil, pede objeto indireto pede objeto indireto com a preposição "a"seguido de oração infinitiva.
Exemplo: custou ao aluno aceitar o fato.
Assim, na linguagem culta são consideradas erradas construções como:
O aluno custou para aceitar o fato.
Custo a crer que ela ainda volte.
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ERRADO
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CERTO
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ACEITÁVEL
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Eu custo a crer
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Custa-me crer
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Custa-me a crer
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Tu custas a crer
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Custa-te crer
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Custa-te a crer
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Ele custa a crer
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Custa-lhe crer
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Custa-lhe a crer
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Nós custamos a crer
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Custa-nos crer
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Custa-nos a crer
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Vós custais a crer
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Custa-vos crer
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Custa-vos a crer
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ESQUECER-SE E LEMBRAR-SE.
Não se esqueça de que, se esses verbos não contiverem o pronome (se), serão transitivos diretos, ou seja, serão usados sem a preposição.
Ex.1: Esqueci-me do nome de sua namorada. / Esqueci o nome de sua namorada.
Ex.2: Lembrei-me de que você me ofendera. / Lembrei que você me ofendera.
Obs.: Há um uso erudito desses verbos, que exige a "coisa" como sujeito e a "pessoa" como objeto indireto com a prep. "a": lembrar, no sentido de "vir à lembrança" e esquecer, no sentido de "cair no esquecimento".
Devem-se formar assim as orações: Lembraram-me os dias da infância = Os dias da infância vieram-me à lembrança. Esqueceram-me os passos daquela dança = Os passos daquela dança caíram no esquecimento.
MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
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morar
residir
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em
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uma casa, rua, praça, cidade, país
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morador em
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residente em
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sito em
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estabelecido em
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SINTAXE DO VERBO HAVER
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CONSTRUÇÃO
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FUNÇÃO
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SENTIDO
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1
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Há pensado, havia dito
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auxiliar
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ter
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2
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Como você houve tanto dinheiro?
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principal
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conseguir
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3
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Como você se houve na festa.
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principal
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comportar-se
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4
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Você vai haver-se com ela
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principal
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ajustar contas
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5
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Hei admiração por você. (arcaico)
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principal
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ter
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6
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Ele havia por correta aquela fala.
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principal
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considerar
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7
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Ele houve por bem concordar
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locução
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dignar-se
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A regência e o verbo "preferir"
O verbo "preferir" é um verbo transitivo direto e indireto, portanto rege a preposição "a".
A regência verbal é determinante na construção correta de expressões formadas com o verbo "preferir". Embora na língua coloquial empregue-se o termo "do que" em lugar da preposição "a", quando há relação de comparação, a regência adequada da língua culta ainda exige a presença do "a" preposicional.
Exemplos:
Meus alunos preferem o brinquedo do que o livro. [Inadequado]
Meus alunos preferem o brinquedo ao livro. [Adequado]
...[objeto direto: o brinquedo]
...[objeto indireto: ao livro]
O pequeno infante preferiu marchar do que esperar pelos ataques. [Inadequado]
O pequeno infante preferiu marchar a esperar pelos ataques. [Adequado]
...[objeto direto: marchar]
...[objeto indireto: a esperar]
A razão do emprego inadequado do termo "do que" nesse tipo de construção se deve ao processo de assimilação de expressões comparativas como:
Prefiro mais ler do que escrever!
A palavra "mais", nesse caso, caiu em desuso, porém o segundo termo da comparação ("do que") ainda permanece, gerando a confusão quanto à regência: o verbo preferir rege tão só a preposição "a" e não o termo "do que".
A regência e o verbo "proceder"
O verbo "proceder" é um verbo transitivo indireto, e rege a preposição "a".
Freqüentemente se observa na linguagem coloquial o emprego do verbo proceder sem a preposição. Essa é uma licença da língua falada que, por assimilar o sentido do verbo proceder ao sentido de outros verbos sinônimos como realizar,
efetuar, etc., transfere para proceder a transitividade direta, ou seja, o não uso de preposição. No entanto, isso não deve ser aplicado na linguagem culta, que exige a presença da preposição "a" (ou a sua contração) junto ao verbo.
Exemplos:
Os apuradores procederam a contagem dos votos das escolas de samba. [Inadequado]
Os apuradores procederam à contagem dos votos das escolas de samba. [Adequado]
...[objeto indireto: à contagem]
...[à: contração = a (artigo) + a (preposição) =crase]
O interrogatório que se procedeu foi decisivo. [Inadequado]
O interrogatório a que se procedeu foi decisivo. [Adequado]
...[a que se procedeu: oração subordinada adjetiva]
No exemplo (2) temos a preposição regida pelo verbo proceder iniciando uma oração adjetiva, ou seja, uma oração que se relaciona a um termo da oração principal, indicando-lhe uma nova informação. Para ficar clara a regência do verbo, vamos inverter a ordem das orações:
"Procedeu-se ao interrogatório que foi decisivo."
...[ao interrogatório: objeto indireto]
...[ao: contração = a (preposição) + o (artigo)]
O verbo proceder também pode ser empregado na sua concepção de verbo intransitivo. Nesse caso ele tem sentido de comportar-se, agir. Como um verbo intransitivo, não há complemento ligado ao verbo, portanto, não há também o uso de preposição.
Exemplos:
De que maneira os turistas procederam?
Espantei-me com aquela mulher que procedeu com firmeza diante da acusação.
...[procedeu: verbo intransitivo = não exige complemento]
...[com firmeza: adjunto adverbial de modo]
...[diante da acusação: adjunto adverbial de tempo]
A regência e o verbo "visar"
O verbo "visar" varia de significação conforme as relações que estabelece com as preposições. Trata-se da regência verbal, responsável, nesse caso, pela alteração de significado da expressão.
O verbo "visar", dentre outras acepções, pode se apresentar como:
verbo transitivo indireto: aponta para o sentido de pretender, ter por objetivo, ter em vista; rege a preposição "a" e não admite a substituição do termo regido pelo pronome oblíquo "lhe", mas sim "a ele(s)" e "a ela(s)";
verbo transitivo direto: aponta para o sentido de mirar, apontar (arma de fogo) e não rege qualquer preposição.
A regência verbal é determinante na construção correta de cada uma das expressões acima. Assim, quando o verbo "visar" for empregado para indicar o sentido apontado em (1), é obrigatória a presença da preposição regida.
Exemplos:
Os estudantes visam uma melhor colocação profissional. [Inadequado]
Os estudantes visam a uma melhor colocação profissional. [Adequado]
Os estudantes visam a ela. [Adequado]
...[termo regente: visar a = ter por objetivo]
Os combatentes visavam aos territórios ocupados recentemente. [Inadequado]
Os combatentes visavam os territórios ocupados recentemente. [Adequado]
Os combatentes visavam-nos. [Adequado]
...[termo regente: visar = mirar]
OUTROS VERBOS
Chamar
No sentido de convocar, mandar, vir, exige complemento sem preposição.
O técnico chamou os jogadores.
Chame os trabalhadores.
Nesse caso, admite-se também a construção preposiciponada.
O técnico chamou pelos jogadores
Chamou pelos seus protetores.
No sentido de cognominar, dar, nome, exige indiferentemente complemento com ou sem a preposição "a"e predicativo com ou sem a preposição "de". Daí admitir quatro construções diferentes:
Chamei Pedro de tolo./ Chamei-o de tolo.
Chamei a Pedro de tolo./ Chamei-lhe de tolo.
Chamei Pedro tolo./ Chamei-o tolo.
Chamei a Pedro tolo./ Chamei-lhe tolo.
Chegar
Exige a preposição"a"e não a preposição "em".
Chegamos finalmente a Birigüi.
Chegamos ao colégio.
Informar
Pede dois complementos, um sem e outro com preposição. Admite duas construções:
Informei a nota ao aluno
Informei o aluno da (ou sobre a) nota.
ir
Segue a mesma regência de chegar.
Iremos a Araçatuba.
Vou ao banheiro.
implicar
No sentido de acarretar, exige complemento sem preposição.
Sua atitude implicará demissão.
Tal procedimento implicará anulação da prova.
Namorar
Exige complemento sem preposição.
João namora Maria.
Ela namora uma aluna do segundo ano.
obedecer
Exige complemento com a preposição "a".
O filho obedece ao pai.
Ele obedecia a leis antigas.
Embora transitivo indireto, o verbo obedecer admite voz passiva.
O pai é obedecido pelo filho.
As leis antigas eram obedecidas por ele.
pagar – perdoar
Tem por complemento uma palavra que denote coisa, não exigem preposição. Quanto têm por complmento uma palavra que denote pessoa, exige a preposição "a".
Paguei o livro (coisa).
Paguei ao livreiro. (pessoa)
Paguei o livro ao livreiro.
Perdoei o pecado (coisa).
Perdoei ao pecador (pessoa).
Perdoei o pecado ao pecador.
Querer
No sentido de desejar, exige complemento sem preposição.
Eu quero uma casa no campo.
Quero um refúgio que seja seguro.
No sentido de estimar, ter afeto, exige complemento com a preposição "a"
Quero a meus pais.
Quero a meus colegas.
Ser
a construção verbo SER + PREPOSIÇÃO EM é incorreta. Não se diz:
Somos trinta nesta classe.
Éramos seis em casa.
SIMPATIZAR, ANTIPATIZAR E IMPLICAR
No sentido de antipatizar. Perceba que esses verbos não são pronominais, ou seja, não existe o verbo "simpatizar-se" nem "antipatizar-se". Não se deve, portanto, dizer "eu me simpatizei com ela"; o certo é "eu simpatizei com ela".
Ex.1: Todos nós simpatizamos com o professor.
Ex.2: O pai dele implica comigo demasiadamente.
Ex.: Sua cultura consiste na memorização de sentenças latinas.
SOBRESSAIR.
Perceba que esse verbo não é pronominal, ou seja, não existe o verbo "sobressair-se". Não se deve, portanto, dizer "ele se sobressaiu no campeonato"; o certo é "ele sobressaiu no campeonato".
Ex.: Os jogadores que mais sobressaíram no time conseguiram contratos no exterior.
Observação
Não se usa um mesmo complemento para verbos que têm regências diferentes.
ERRADO:
Precisava e encontrei o material de acampamento.
Assisti, mas não gostei do filme.
CERTO:
Precisava do material de acampamento e encontrei-
Assisti ao filme, mas não gostei dele.