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Pai-nosso: católico e protestante
(Hélio Consolaro* )

O leitor desta Folha, Ronaldo Rodrigues, morador de Guararapes, sempre coloca sua colher de pau em assuntos polêmicos na coluna do leitor, exercendo a sua cidadania. Tive a honra de receber dele uma consulta sobre o pai-nosso, aquela oração que nos é passada como a única que Jesus Cristo ensinou, para que orássemos corretamente. Ele quis saber se no pai-nosso se devia se dirigir a Deus na segunda pessoa do singular ou na segunda pessoa do plural.

Oração dos templos católicos:

Pai nosso que estais no Céu,/ santificado seja o Vosso Nome,/ venha a nós o Vosso reino,/ seja feita a Vossa vontade,/ assim na terra como no Céu./ O pão nosso de cada dia nos dai hoje;/ perdoai-nos as nossas ofensas,/ assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido,/ e não nos deixeis cair em tentação,/ mas livrai-nos do mal. Amém.

Oração dos templos protestantes:

Pai Nosso, que estás nos Céus,/ Santificado seja o Teu nome./ Venha nós ao Teu reino,/ Seja feita a Tua vontade/ Assim na Terra como no Céu. / O pão nosso de cada dia nos dá hoje./ Perdoa-nos as nossas dívidas/ Assim como nós perdoamos aos nossos devedores/ E não nos deixes cair em tentação/ Mas livra-nos do mal. [Pois Teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre.] Amém.

O leitor notou que o texto católico trata Deus por “vós” majestático, enquanto o protestante trata a figura divina por “tu”, deixando o pai-nosso com caráter mais intimista.

O Concílio do Vaticano II atualizou algumas palavras, colocando “ofensas” e “a quem nos tem ofendido” no lugar de “dívidas” e “devedores”. Os protestantes conservam a antiga tradução. E também acrescentaram ao texto original uma frase, que transcrevi entre colchetes.

Não discuto qual é a melhor forma, apresentei ao leitor Ronaldo por e-mail as duas. Em latim, em português antigo e em português contemporâneo, o texto do pai-nosso demonstra bem a mudança que uma língua sofre com o passar do tempo.

*Hélio Consolaro é professor de Português, escritor, jornalista, membro da Academia Araçatubense de Letras, coordenador do site Por Trás das Letras.





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Conteúdo: Hélio Consolaro
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